Novo PAC destina R$ 785 milhões para educação indígena; Roraima terá 23 novas escolas

O Ministério da Educação (MEC) anunciou a construção de 23 novas escolas indígenas em Roraima como parte de um pacote nacional que prevê a implantação de unidades em 17 estados brasileiros. A iniciativa integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e contará com investimento total de R$ 785 milhões. O anúncio foi feito pelo ministro Camilo Santana durante visita à comunidade indígena Sahu-Apé, em Iranduba, no Amazonas. A agenda incluiu diálogo com lideranças indígenas e apresentação das diretrizes do projeto, que prevê estruturas adaptadas às especificidades socioculturais de cada território. Norte concentra maior volume de investimentos A Região Norte será a principal beneficiada pelo programa. O Amazonas lidera o número de novas unidades, com 27 escolas previstas. Em seguida aparecem Roraima, com 23, e Amapá, com 17. O Maranhão receberá 11 escolas. Outros estados das regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul também estão contemplados no plano. Segundo o MEC, os recursos serão destinados à construção de prédios escolares com salas de aula, espaços administrativos, áreas de convivência e infraestrutura adequada às condições climáticas e geográficas de cada localidade. O objetivo é garantir ambientes seguros e adaptados à realidade das comunidades, muitas delas situadas em áreas de difícil acesso. Estrutura pensada para educação intercultural De acordo com a pasta, o projeto arquitetônico das unidades seguirá parâmetros específicos para a educação escolar indígena, respeitando línguas maternas, tradições e metodologias próprias de ensino. A proposta inclui espaços multiuso que possam ser utilizados para atividades culturais e reuniões comunitárias. A ampliação da rede busca enfrentar déficits históricos de infraestrutura em territórios indígenas, onde ainda há escolas funcionando em prédios improvisados ou sem condições adequadas de funcionamento. O investimento também pretende reduzir a evasão escolar e ampliar a permanência de estudantes nas aldeias. Impacto em Roraima Em Roraima, estado com significativa população indígena distribuída em diferentes municípios, as 23 novas escolas devem fortalecer o atendimento educacional em comunidades já existentes e ampliar a cobertura em áreas ainda desassistidas. A expectativa é que as obras gerem empregos temporários durante a fase de construção e que, posteriormente, ampliem a demanda por profissionais da educação, priorizando, quando possível, a contratação de professores indígenas. Política pública de longo alcance O Novo PAC inclui ações em diversas áreas de infraestrutura, e a educação indígena passou a integrar o eixo social do programa. Para o MEC, a medida representa avanço no cumprimento do direito constitucional à educação diferenciada, específica, bilíngue e intercultural. Com o investimento anunciado, o governo federal aposta na ampliação da rede escolar indígena como estratégia para promover inclusão social, valorização cultural e desenvolvimento sustentável nos territórios tradicionais.

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