UIRAMUTÃ

Laboratório móvel leva exames e atendimento de saúde a comunidades indígenas de difícil acesso Programa da Saúde municipal realiza coletas e diagnósticos diretamente nas aldeias, reduzindo deslocamentos até a sede do município UIRAMUTÃ (RR) — Moradores da comunidade indígena Ticoça, localizada a cerca de 35 quilômetros da sede do município de Uiramutã, no Norte de Roraima, receberam nesta semana atendimento médico e serviços laboratoriais diretamente na própria comunidade. A ação faz parte de um novo programa da Secretaria Municipal de Saúde que utiliza um laboratório móvel para ampliar o acesso da população indígena a exames e diagnósticos básicos. A iniciativa integra o projeto Labonase, que inicialmente funcionava na sede do município e agora começa a ser ampliado para regiões mais afastadas. A primeira ação do programa em comunidades indígenas ocorreu na quinta-feira (12), quando uma equipe de profissionais de saúde se deslocou até a comunidade Ticoça levando equipamentos para coleta e análise de exames. O atendimento é realizado por meio de uma picape adaptada, equipada com materiais e instrumentos utilizados em procedimentos laboratoriais. No local, a equipe faz coletas de sangue, testes e avaliações iniciais, permitindo que moradores tenham acesso a exames que normalmente exigiriam deslocamento até a área urbana do município. A comunidade indígena Ticoça conta atualmente com 449 moradores, entre eles 105 pais de família, que dependem do sistema público municipal para atendimento médico. Para muitos deles, o acesso a exames laboratoriais representa um desafio devido à distância, às condições das estradas e à escassez de transporte regular entre as comunidades e a sede do município. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o laboratório móvel foi criado justamente para reduzir essas dificuldades logísticas e levar os serviços básicos de diagnóstico às localidades mais isoladas. Em muitos casos, moradores precisam percorrer dezenas de quilômetros para realizar exames simples, o que acaba atrasando diagnósticos e tratamentos. Durante a ação realizada na Ticoça, profissionais de saúde atenderam moradores de diferentes faixas etárias, incluindo crianças, adultos e idosos. Além das coletas laboratoriais, a equipe também realizou triagem clínica, orientações de prevenção e encaminhamentos médicos, quando necessário. A estratégia faz parte de um esforço da gestão municipal para descentralizar o atendimento de saúde e fortalecer a assistência básica nas comunidades indígenas. O trabalho também permite identificar casos que precisam de acompanhamento médico mais detalhado ou encaminhamento para unidades de saúde com maior estrutura. De acordo com a coordenação do programa, a experiência inicial na comunidade foi considerada positiva, tanto pela quantidade de atendimentos realizados quanto pela adesão da população local. A presença da equipe dentro da própria comunidade facilita o acesso principalmente para idosos, gestantes e pessoas com dificuldade de locomoção, que muitas vezes deixam de realizar exames por causa da distância. A expectativa da Secretaria de Saúde é que o laboratório móvel passe a integrar de forma permanente o calendário de ações itinerantes do município, atendendo outras comunidades indígenas localizadas em áreas remotas do Uiramutã. Com a ampliação do projeto, a prefeitura pretende fortalecer a rede de atenção básica e reduzir desigualdades no acesso aos serviços de saúde, garantindo que moradores das regiões mais distantes também possam realizar exames e receber acompanhamento médico sem precisar enfrentar longas viagens até a sede municipal.

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