Entre fronteiras e aldeias, Uiramutã reforça proteção contra doenças em campanha internacional de vacinação

Nas estradas que ligam o extremo Norte de Roraima às fronteiras da Guiana, pessoas cruzam territórios diariamente em busca de trabalho, comércio, atendimento médico e reencontros familiares. Em meio a essa circulação constante, um desafio silencioso acompanha os municípios da região: impedir que doenças transmissíveis atravessem fronteiras e coloquem em risco milhares de vidas. Foi com esse objetivo que o município de Uiramutã participou, nesta sexta-feira, 16 de maio, do Dia “D” da Campanha de Vacinação Transfronteiriça Guiana–Brasil, realizada no município de Bonfim. A mobilização reuniu profissionais da saúde, autoridades públicas e equipes de imunização em um esforço conjunto para fortalecer a prevenção e ampliar a cobertura vacinal nas áreas de fronteira entre os dois países. Representando Uiramutã, estiveram presentes a equipe municipal de imunização e o secretário municipal de Saúde, Querginaldo Tomás, que acompanhou as atividades da campanha e participou das ações de integração entre os municípios da região. Mais do que uma ação pontual de vacinação, o evento simbolizou um pacto coletivo pela proteção da saúde pública em uma das áreas mais estratégicas e vulneráveis da Amazônia brasileira. A campanha integra a Iniciativa de Eliminação de Doenças, compromisso internacional coordenado por órgãos de saúde das Américas com a meta de erradicar mais de 30 doenças transmissíveis até 2030. Entre elas estão enfermidades preveníveis por vacinas, como sarampo, poliomielite, rubéola, difteria e hepatites virais. A preocupação das autoridades sanitárias é crescente, especialmente diante da redução das taxas de vacinação observadas em vários países nos últimos anos. Em regiões de fronteira, o risco se torna ainda maior devido ao intenso fluxo migratório e à circulação constante de pessoas entre territórios vizinhos. No Norte de Roraima, onde municípios como Uiramutã e Bonfim convivem diretamente com rotas migratórias e áreas indígenas de difícil acesso, a vacinação passou a ser tratada como uma prioridade estratégica para evitar surtos e impedir o retorno de doenças consideradas controladas no Brasil. Entre as maiores preocupações está o sarampo, doença altamente contagiosa que voltou a registrar casos em países da América do Sul após anos de controle epidemiológico. Durante o Dia “D”, equipes de saúde realizaram atualização da caderneta vacinal, aplicação de imunizantes e orientações educativas sobre a importância da vacinação para crianças, adolescentes, adultos e idosos. As atividades também incluíram ações de conscientização voltadas ao combate à desinformação sobre vacinas — um dos principais desafios enfrentados atualmente pelos sistemas de saúde pública em todo o mundo. Profissionais da saúde destacaram que manter altas coberturas vacinais é fundamental não apenas para proteger indivíduos, mas para impedir a circulação de vírus e bactérias nas comunidades, garantindo segurança coletiva. Para Uiramutã, a participação na campanha possui um significado ainda mais profundo. Localizado em uma região marcada pela presença de comunidades indígenas e áreas de difícil deslocamento, o município enfrenta desafios logísticos constantes para garantir atendimento de saúde às aldeias espalhadas entre serras, rios e longas distâncias da Amazônia. Muitas equipes de imunização precisam percorrer trajetos complexos para chegar até comunidades remotas, levando vacinas, orientações e atendimento básico às famílias indígenas da região. Mesmo diante das dificuldades geográficas, o município vem fortalecendo suas ações preventivas e ampliando a presença das campanhas de imunização nas comunidades. Segundo o secretário municipal de Saúde, Querginaldo Tomás, a participação de Uiramutã no Dia “D” demonstra o compromisso da gestão municipal com a proteção da população e com o fortalecimento das políticas de saúde preventiva. “A vacinação continua sendo uma das ferramentas mais importantes da saúde pública. Quando participamos de campanhas como essa, estamos protegendo nossas crianças, nossas famílias e toda a população da região de fronteira”, afirmou. Além da aplicação de vacinas, a mobilização em Bonfim também serviu como espaço de integração entre profissionais da saúde de diferentes municípios, permitindo troca de experiências, alinhamento de estratégias e fortalecimento das ações conjuntas de vigilância epidemiológica. Especialistas alertam que o combate às doenças transmissíveis nas regiões de fronteira depende diretamente da cooperação entre municípios, estados e países vizinhos. Afinal, vírus e epidemias não respeitam limites territoriais. Enquanto profissionais aplicavam vacinas e orientavam moradores durante a campanha, a mensagem compartilhada pelas equipes de saúde era clara: prevenir ainda é a forma mais eficaz de salvar vidas. Em tempos de desafios sanitários globais e aumento dos riscos epidemiológicos, o Dia “D” da vacinação transfronteiriça mostrou que a união entre municípios e países pode se transformar em uma poderosa barreira de proteção coletiva. No extremo Norte do Brasil, entre aldeias indígenas, estradas amazônicas e fronteiras internacionais, Uiramutã segue reafirmando um compromisso essencial: cuidar da saúde da população hoje para garantir um futuro mais seguro amanhã.

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