O município de Uiramutã de Roraima, vive uma das estiagens mais severas dos últimos anos. Comunidades indígenas da Raposa Serra do Sol e moradores da sede do município já enfrentam escassez de água, queda de pressão nas torneiras e racionamento do recurso, que se torna cada vez mais escasso devido à redução do lençol freático.
Para amenizar os efeitos da seca, a Defesa Civil municipal, em parceria com brigadistas e organizações locais, iniciou o abastecimento emergencial de escolas e residências por meio de caminhões-pipa. Apesar das ações, a demanda ainda supera a oferta, e muitas famílias precisam racionar água diariamente.
“O início da estiagem este ano foi mais intenso do que o habitual, atingindo simultaneamente a sede e comunidades indígenas. O lençol freático baixou muito, e isso provoca água fraca nas torneiras”, alertou Julimar Sena, coordenador da Defesa Civil de Uiramutã.
A escassez afeta diretamente a rotina das comunidades indígenas. A água é utilizada para consumo, higiene, manutenção de roçados e preparação de alimentos tradicionais, tornando a crise um desafio não apenas para a sobrevivência, mas também para a preservação cultural. Moradores relatam dificuldades em atender necessidades básicas, especialmente para crianças e idosos.
Na sede do município, os efeitos da seca também são sentidos. Famílias relatam água insuficiente para o consumo diário, enquanto comerciantes enfrentam problemas na produção de alimentos e limpeza de estabelecimentos. O impacto econômico se soma ao social e cultural, evidenciando a vulnerabilidade da região frente às mudanças climáticas.
Autoridades municipais estudam medidas complementares, incluindo perfuração de novos poços, instalação de cisternas comunitárias e campanhas de conscientização sobre o uso racional da água. Especialistas reforçam a necessidade de políticas públicas integradas e de investimentos em infraestrutura hídrica, considerando a crescente irregularidade das chuvas na região Norte do país.
A situação em Uiramutã evidencia a fragilidade das regiões isoladas frente à estiagem e destaca a urgência de soluções sustentáveis que combinem tecnologia, gestão pública e respeito às tradições indígenas, garantindo o acesso à água potável mesmo em períodos críticos.



