Na manhã desta quinta-feira, 5 de junho, o céu acordou diferente no Uiramutã. Era como se a natureza tivesse suspendido o tempo só para ouvir. E ouviu.
Ali, no pátio da Escola Estadual Joaquim Nabuco, não era apenas uma aula. Era um ritual. Um pacto entre jovens e a floresta. Um dia em que cada dedo sujo de terra era um manifesto de amor à vida.
Enquanto o mundo comemorava o Dia Internacional do Meio Ambiente com hashtags e discursos, no extremo norte de Roraima, os alunos do 9º ano celebravam com enxadas, sementes e coração.
🌎 De discurso, o planeta já está cheio. Aqui, a gente planta.
Com o apoio da Prefeitura do Uiramutã, em parceria com as Secretarias Municipais de Meio Ambiente, Turismo e Articulação Política, a ação começou com uma palestra que mais parecia um chamado ancestral: preservar não é escolha, é dever de quem respira.
Os olhos dos estudantes brilharam. Não com reflexo de tela, mas com o reflexo das folhas, dos sonhos e do compromisso que brota na juventude que já entendeu: não há planeta B, mas há plano A — e ele começa na terra que a gente cuida.
🌿 Mudas, mãos e memória
Terminada a fala, os alunos foram à terra como quem segue um instinto antigo. Com cuidado, enterraram pequenas mudas — de ipê, jenipapo, açaí — como quem planta a si mesmo. Cada buraco na terra era uma promessa. Cada folha nova, um futuro que se levanta.
“Essa árvore vai crescer comigo”, disse um aluno, enxugando o suor com a manga da camisa enquanto ajeitava a muda no solo. Era uma fala simples, mas carregada de poesia.
🌳 Escola ou viveiro de utopias?
A Escola Joaquim Nabuco, por um instante, virou floresta. As carteiras deram lugar a canteiros, o giz cedeu espaço ao húmus, e a lição do dia foi escrita com raízes. Uma lição que diz: ensinar não é apenas mostrar o mundo, é ensinar a protegê-lo.
E naquele pequeno ato coletivo — plantar uma muda — os jovens do Uiramutã disseram ao mundo, em silêncio, tudo o que ele precisava ouvir:
🌱 “Ainda dá tempo.”
🌱 “Ainda temos chão.”
🌱 “E se depender de nós, ele florescerá.”
No Uiramutã, não se comemora o meio ambiente com palavras. Se comemora com vida. E ela, acredite, está nascendo.



