Entre serras e tradições: Maturuca recebe a 55ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas de Roraima

Em meio às paisagens marcantes da região das Serras, no município de Uiramutã, a comunidade indígena Maturuca se transforma, nesta semana, no principal centro de debates do movimento indígena em Roraima. A partir desta quarta-feira (11), o local passa a sediar a 55ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas de Roraima, reunindo lideranças, autoridades e representantes de organizações indígenas para discutir temas fundamentais para o presente e o futuro dos povos originários do Estado. O encontro reúne mais de 1,5 mil indígenas, entre tuxauas, coordenadores regionais, jovens lideranças, mulheres, anciãos e representantes de diversas instituições. Vindos de diferentes territórios, eles percorrem longas distâncias para participar de um dos momentos mais importantes de articulação política e social das comunidades indígenas de Roraima. Realizada anualmente, a Assembleia Geral é considerada a principal instância de deliberação do movimento indígena no Estado. É nesse espaço que as lideranças se reúnem para avaliar a situação das comunidades, discutir desafios enfrentados pelos povos indígenas e definir estratégias coletivas de atuação diante das demandas que afetam os territórios tradicionais. Durante os dias de programação, lideranças das onze etnorregiões indígenas de Roraima participam de plenárias, rodas de diálogo e reuniões temáticas que abordam assuntos prioritários para as comunidades. Entre os principais temas em debate estão a defesa e proteção dos territórios indígenas, políticas públicas voltadas à educação e à saúde nas comunidades, segurança alimentar, preservação ambiental, fortalecimento das organizações indígenas e a garantia dos direitos constitucionais dos povos originários. Além das discussões políticas, a assembleia também se torna um importante espaço de fortalecimento cultural. A presença de representantes de diferentes povos permite a troca de experiências, saberes e tradições, fortalecendo a identidade indígena e o sentimento de união entre as comunidades. A participação de jovens e mulheres também ganha destaque na programação, refletindo a ampliação do protagonismo desses grupos dentro das organizações indígenas. Muitos deles participam ativamente das discussões, trazendo novas perspectivas para os desafios enfrentados pelas comunidades. Ao sediar a 55ª edição do encontro, a comunidade Maturuca assume um papel simbólico e estratégico dentro do movimento indígena de Roraima. Localizada em uma das regiões mais emblemáticas do Estado, a comunidade acolhe participantes de diferentes territórios e se torna, durante os dias de assembleia, um espaço de diálogo coletivo e construção de decisões que impactam diretamente a vida de milhares de indígenas. A assembleia também representa um momento de avaliação das conquistas alcançadas ao longo dos anos e de planejamento das próximas ações do movimento indígena, fortalecendo a organização política das comunidades e ampliando a articulação entre as lideranças. Mais do que um encontro institucional, a Assembleia Geral dos Povos Indígenas simboliza a continuidade de uma luta histórica pela defesa da terra, pela valorização da cultura e pela garantia dos direitos dos povos originários. Entre debates, encontros e momentos de troca cultural, a 55ª edição da assembleia reafirma a força da organização indígena em Roraima e demonstra que, mesmo diante dos desafios, as comunidades seguem unidas na construção de um futuro baseado no respeito, na autonomia e na preservação de suas tradições. 🌿🏹
Prefeitura amplia tanques de piscicultura e fortalece produção indígena em Uiramutã

A Prefeitura de Uiramutã concluiu a ampliação de quatro tanques de criação de peixes em comunidade indígena do município, impulsionando a piscicultura como instrumento de desenvolvimento sustentável, geração de renda e segurança alimentar. A ação contemplou a expansão estrutural dos viveiros, aumentando a capacidade de cultivo e proporcionando melhores condições para o manejo e crescimento dos peixes. Com a melhoria da infraestrutura, as famílias produtoras passam a contar com maior eficiência nos ciclos de produção, além de ampliar o potencial de comercialização do excedente. A piscicultura tem se consolidado como uma alternativa estratégica para as comunidades indígenas da região, unindo tradição, cuidado ambiental e autonomia econômica. A ampliação dos tanques representa não apenas um investimento físico, mas também um fortalecimento da produção local, garantindo proteína de qualidade para o consumo das famílias e contribuindo para a redução da dependência de alimentos vindos de outras localidades. Segundo a gestão municipal, a iniciativa faz parte de um conjunto de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural e à valorização das comunidades tradicionais. O objetivo é estimular atividades produtivas sustentáveis, respeitando as características culturais e ambientais do território. Com as quatro ampliações concluídas, Uiramutã dá mais um passo no fortalecimento da economia local e na promoção de qualidade de vida para sua população indígena, mostrando que investir na produção é também investir no futuro.
Planejamento estratégico fortalece políticas públicas e impulsiona o desenvolvimento rural em Uiramutã

No município de Uiramutã, onde a agricultura desempenha papel essencial na geração de renda e segurança alimentar, a gestão pública tem investido em planejamento técnico como base para decisões mais eficientes e responsáveis. Nesta semana, a Prefeitura recebeu a equipe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para um alinhamento estratégico voltado ao aprimoramento do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) e da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM). O encontro técnico teve como objetivo fortalecer a cooperação institucional e assegurar maior precisão na coleta e consolidação dos dados referentes à produção agrícola local. O LSPA é responsável por acompanhar, de forma contínua, as estimativas de área plantada, produtividade e produção das principais lavouras ao longo do ano. Já a PAM reúne informações estruturais sobre as culturas temporárias e permanentes, fornecendo um panorama anual detalhado da realidade agrícola municipal. De acordo com a gestão municipal, a qualificação das informações estatísticas é fundamental para orientar investimentos, ampliar o acesso a programas governamentais e estruturar políticas públicas mais alinhadas às necessidades dos produtores rurais. Dados consistentes permitem identificar potencial produtivo, monitorar desafios climáticos e logísticos, além de fortalecer estratégias voltadas à assistência técnica e ao escoamento da produção. A parceria com o IBGE também contribui para integrar o município aos indicadores estaduais e nacionais, garantindo que a realidade de Uiramutã esteja devidamente representada nos levantamentos oficiais. Essa visibilidade amplia oportunidades de captação de recursos e reforça a importância do setor agrícola como vetor de desenvolvimento socioeconômico. Para a administração municipal, planejar significa antecipar cenários, reduzir riscos e agir com responsabilidade. O investimento em informação de qualidade demonstra o compromisso com a transparência, a eficiência administrativa e o crescimento sustentável do campo. Com planejamento estruturado e base técnica sólida, Uiramutã avança no fortalecimento do desenvolvimento rural, valorizando quem vive da terra e contribuindo para um futuro mais próspero e organizado para toda a população. #PrefeituraDeUiramutã #GestãoComprometida #DesenvolvimentoRural #Transparência #PlanejamentoQueAvança
No Uiramutã, rateio milionário do Fundeb aguarda canetada da Câmara e mantém mais de 600 profissionais em expectativa

Uiramutã (RR) — O que separa mais de 600 profissionais da Educação de um pagamento que pode chegar a R$ 10 mil é, neste momento, uma decisão legislativa. O rateio do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), referente ao exercício de 2025, já foi calculado, auditado e está pronto para ser executado pela Secretaria Municipal de Educação. No entanto, o depósito só poderá ser realizado após aprovação do projeto de lei pela Câmara Municipal de Uiramutã. A proposta ainda não entrou na pauta de votação porque depende da convocação de sessão extraordinária pelo presidente da Casa, o vereador Max Ferreira (Republicanos). Sem essa etapa formal, a Secretaria não pode fixar data para pagamento, mesmo com os valores já definidos. 615 profissionais beneficiados Ao todo, 615 servidores — entre efetivos e temporários — que atuaram na rede municipal ao longo de 2025 serão contemplados. O valor individual varia conforme critérios estabelecidos em lei, como carga horária, tempo de serviço e período trabalhado durante o ano. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, os pagamentos podem variar de quantias simbólicas, proporcionais a poucos dias trabalhados, até valores que se aproximam de R$ 10 mil para quem cumpriu integralmente o calendário letivo. O rateio é resultado do saldo remanescente dos recursos do Fundeb, cuja legislação determina que no mínimo 70% devem ser destinados à remuneração dos profissionais da educação básica. Quando há sobra após o cumprimento das obrigações salariais, o montante pode ser redistribuído entre os trabalhadores do setor. Expectativa nas escolas e impacto na economia Nas escolas municipais, o assunto domina conversas entre professores, auxiliares, coordenadores pedagógicos e servidores administrativos. Para muitos, o rateio representa a possibilidade de reorganizar as finanças, quitar dívidas, investir em qualificação ou reforçar o orçamento familiar no início do ano. Em uma cidade de pequeno porte como Uiramutã, a injeção de recursos pode gerar reflexo imediato na economia local. O comércio tende a sentir o aumento na circulação de dinheiro, beneficiando pequenos empreendedores, supermercados, lojas de vestuário e prestadores de serviços. Especialistas apontam que, em municípios do interior, pagamentos extras ao funcionalismo público funcionam como estímulo econômico temporário, ampliando o consumo e fortalecendo o comércio local. Trâmite político é decisivo Apesar do cenário técnico favorável, o processo agora é essencialmente político. A convocação da sessão extraordinária e a posterior votação dos vereadores são etapas obrigatórias para que o pagamento seja legalmente autorizado. A expectativa é de que, uma vez aprovado, o repasse seja realizado com rapidez, já que os cálculos e a disponibilidade orçamentária estariam assegurados. Até lá, o rateio permanece no papel — aguardando o momento de sair das planilhas da Secretaria de Educação para a conta bancária dos profissionais. Enquanto a pauta não entra oficialmente em votação, cresce a expectativa entre os trabalhadores da Educação, que aguardam a decisão da Câmara para transformar o anúncio em realidade financeira.
Rateio do Fundeb em Uiramutã depende de aval da Câmara e pode injetar milhares na economia local

Uiramutã (RR) — A gestão municipal confirmou que o pagamento do rateio dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) referente ao exercício de 2025 está pronto para ser executado, mas ainda depende de autorização legislativa. O projeto de lei que regulamenta a distribuição dos valores aguarda aprovação da Câmara Municipal de Uiramutã, etapa considerada obrigatória para que o repasse seja efetuado de forma legal e transparente. A informação foi confirmada pelo prefeito Tuxaua Benísio, que destacou que os cálculos já foram concluídos pela equipe técnica da Secretaria Municipal de Educação, seguindo os critérios estabelecidos pela legislação federal que determina o mínimo de 70% dos recursos do Fundeb para pagamento de profissionais da educação básica. Segundo a Prefeitura, o rateio contemplará 615 profissionais da rede municipal, entre servidores efetivos, contratados e temporários que atuaram ao longo de 2025. Os valores variam de acordo com o tempo de serviço e a carga horária cumprida no período, podendo oscilar entre R$ 29,51 e R$ 10.623,00. A diferença nos montantes ocorre devido à proporcionalidade aplicada aos dias trabalhados e ao vínculo funcional de cada servidor. Progressões e valorização inédita Além do rateio, o pacote encaminhado ao Legislativo também prevê a concessão de progressões horizontais e verticais para 16 professores efetivos da rede municipal. De acordo com a gestão, os valores dessas progressões variam entre R$ 8 mil e R$ 12 mil, representando um avanço histórico na política de valorização do magistério local. O secretário municipal de Educação, Damázio de Souza Gomes, afirmou que todos os procedimentos passaram por análise jurídica e contábil para garantir segurança administrativa. “Estamos cumprindo rigorosamente a legislação e assegurando que cada profissional receba o que é de direito”, reforçou. Impacto econômico no município Em um município de pequeno porte como Uiramutã, a liberação de recursos dessa magnitude tem efeito direto na economia local. A expectativa é de que o pagamento do rateio gere aquecimento no comércio, aumente a circulação de dinheiro e fortaleça setores como alimentação, vestuário e serviços. Especialistas apontam que, em cidades do interior, abonos salariais e pagamentos extraordinários funcionam como verdadeiros “impulsionadores” econômicos, especialmente no primeiro trimestre do ano, período em que há maior pressão financeira sobre as famílias devido a despesas como material escolar e tributos. Trâmite legislativo e expectativa Para acelerar o processo, o prefeito solicitou a convocação de sessão extraordinária para apreciação do projeto. A administração municipal espera que a matéria seja votada nos próximos dias, permitindo que o pagamento seja realizado imediatamente após a aprovação. A pauta ganhou repercussão estadual após publicação do portal Folha de Boa Vista, sediado em Boa Vista, ampliando a visibilidade do tema e reforçando a cobrança por celeridade na tramitação. Nos bastidores, a expectativa entre os profissionais da educação é de que o projeto seja aprovado sem entraves, considerando que os recursos já estão disponíveis e devidamente contabilizados. Transparência e legalidade A Prefeitura reforçou que o rateio não se trata de aumento salarial permanente, mas de distribuição de eventual saldo remanescente do Fundeb, conforme permitido pela legislação. O procedimento é comum em diversos municípios brasileiros quando há sobra de recursos após o cumprimento das despesas obrigatórias. Enquanto aguarda o aval do Legislativo, a administração municipal mantém diálogo com vereadores para garantir que todos os esclarecimentos técnicos sejam apresentados antes da votação. Se aprovado, o pagamento marcará um dos maiores rateios já registrados na história recente de Uiramutã, consolidando um capítulo importante na política de valorização dos profissionais da educação do município.
REDE MUNICIPAL

Alunos do Uiramutã voltam às aulas nesta segunda com estrutura reforçada e foco no avanço da aprendizagem O silêncio das escolas dá lugar, novamente, ao burburinho dos corredores, às mochilas coloridas e aos cadernos ainda com cheiro de novos começos. Nesta segunda-feira (23), a rede municipal de ensino de Uiramutã retoma oficialmente as atividades do ano letivo de 2026, mobilizando estudantes, professores e equipes pedagógicas em todas as regiões do município. Segundo a Secretaria Municipal de Educação (Semecd), mais de 2.100 alunos, distribuídos em 71 unidades escolares, voltam às salas de aula para o início do primeiro semestre, conforme estabelece o calendário escolar municipal. O retorno envolve escolas da sede e também unidades situadas em comunidades indígenas e áreas de difícil acesso, onde o deslocamento e a logística exigem planejamento antecipado e esforço integrado. Planejamento e metas para 2026 De acordo com o secretário municipal de Educação, o novo ano letivo começa com foco no planejamento pedagógico, na organização das rotinas escolares e na definição de metas voltadas à melhoria do desempenho dos estudantes. “Estamos iniciando mais um ciclo com responsabilidade e compromisso. Nossos profissionais passaram pelo período de organização interna, alinhamento de estratégias e planejamento das ações que serão desenvolvidas ao longo do semestre. A expectativa é avançar nos indicadores de aprendizagem e fortalecer o acompanhamento pedagógico”, destacou. Entre as prioridades estão o reforço escolar para alunos com defasagem de aprendizagem, o acompanhamento mais próximo da frequência escolar e a aplicação de avaliações diagnósticas logo nas primeiras semanas, a fim de identificar necessidades específicas de cada turma. Estrutura garantida antes do primeiro dia Para assegurar que o ano letivo comece sem intercorrências, a Semecd informou que todas as unidades municipais de ensino já foram abastecidas com merenda escolar, gás de cozinha, materiais de limpeza e materiais de expediente. O abastecimento contemplou inclusive escolas localizadas em regiões de difícil acesso, onde o transporte de insumos depende de logística diferenciada e cronogramas específicos. A merenda escolar, segundo a Secretaria, seguirá o cardápio planejado por equipe técnica, buscando garantir alimentação adequada e equilibrada aos estudantes — fator considerado essencial para o rendimento em sala de aula. Além disso, as equipes gestoras organizaram salas, revisaram mobiliários e ajustaram cronogramas para receber os alunos com segurança e organização. Educação como ferramenta de transformação No município mais ao norte do país, onde a diversidade cultural e as características geográficas moldam a realidade escolar, cada início de ano letivo representa mais do que o retorno às atividades. É também a reafirmação do compromisso com a educação como instrumento de transformação social. Para as famílias, o momento simboliza renovação de expectativas. Para os estudantes, é tempo de reencontrar colegas, estabelecer novas metas e dar continuidade à construção do conhecimento. Já para os educadores, é a oportunidade de colocar em prática estratégias pedagógicas que dialoguem com a realidade local e fortaleçam o processo de ensino-aprendizagem. Com organização antecipada, planejamento definido e estrutura assegurada, a rede municipal de Uiramutã inicia 2026 com o desafio de avançar ainda mais na qualidade da educação ofertada, consolidando o compromisso com o futuro das novas gerações.
NOVO DESCONTO

Indígenas vão pagar menos na conta de luz com ampliação de benefício social A energia elétrica, que ilumina casas, mantém alimentos conservados e garante o funcionamento de escolas e postos de saúde em comunidades indígenas, vai custar menos para milhares de famílias em todo o país. Desde 1º de janeiro deste ano, o Novo Desconto Social na conta de luz passou a conceder abatimento de 11,8% na fatura mensal para consumidores de baixa renda inscritos no Cadastro Único (CadÚnico). A medida já beneficia mais de 4,1 milhões de famílias — cerca de 14,6 milhões de pessoas — de acordo com dados do Ministério de Minas e Energia. A expectativa do governo federal é ampliar esse alcance para até 7 milhões de famílias, o que pode representar impacto direto na vida de aproximadamente 55 milhões de brasileiros nos próximos meses, incluindo milhares de famílias indígenas que vivem em áreas urbanas e rurais. Critérios de acesso ao benefício O Novo Desconto Social contempla consumidores inscritos no CadÚnico com renda mensal per capita de até meio salário mínimo e que apresentem consumo mensal de até 120 quilowatts-hora (kWh). Também podem ser enquadradas famílias com renda per capita entre meio e um salário mínimo, desde que cumpram os requisitos estabelecidos pelo programa. O desconto de 11,8% incide diretamente sobre o valor da fatura de energia elétrica, reduzindo o custo fixo mensal. Para ter direito, é fundamental que os dados da família estejam atualizados no CadÚnico e vinculados corretamente ao número da unidade consumidora junto à concessionária de energia. Em muitos casos, a concessão é automática para quem já atende aos critérios, sem necessidade de novo cadastro, desde que as informações estejam regulares. Impacto direto nas aldeias Em comunidades indígenas, o acesso à energia elétrica é resultado de anos de políticas de universalização. Hoje, a eletricidade é essencial para atividades cotidianas: conservação de alimentos, iluminação noturna, carregamento de celulares, funcionamento de televisores, bombas d’água e equipamentos de saúde. Para famílias que vivem com renda restrita, qualquer redução na conta representa alívio real no orçamento. Em regiões onde a economia é baseada na agricultura familiar, no extrativismo, no artesanato e em programas sociais, o custo da energia compete com despesas como alimentação, transporte e material escolar. Especialistas apontam que, embora o percentual de 11,8% possa parecer discreto, o efeito acumulado ao longo de 12 meses gera economia significativa. Em muitos lares, o valor economizado pode ser revertido na compra de alimentos, medicamentos ou investimentos em pequenas atividades produtivas. Energia, permanência e dignidade O desconto também tem impacto social mais amplo. Ao reduzir custos fixos, fortalece a permanência das famílias em seus territórios tradicionais e contribui para a autonomia econômica. Em comunidades onde a infraestrutura ainda é limitada, a energia elétrica é instrumento de cidadania. Com iluminação adequada, estudantes podem estudar no período noturno. Postos de saúde mantêm vacinas refrigeradas. Pequenos empreendimentos comunitários — como produção de polpas de frutas, panificação e artesanato — dependem de equipamentos elétricos para funcionar. O Ministério de Minas e Energia afirma que o objetivo do Novo Desconto Social é ampliar a proteção tarifária às populações mais vulneráveis, promovendo inclusão e segurança energética. Perspectiva de ampliação A meta de alcançar até 7 milhões de famílias indica que o programa ainda está em expansão. Para comunidades indígenas, a informação correta é fundamental para garantir o acesso ao benefício. Lideranças comunitárias e equipes de assistência social têm papel estratégico na orientação sobre atualização cadastral e verificação de elegibilidade. Em um cenário de desafios econômicos e aumento do custo de vida, o Novo Desconto Social surge como instrumento de equilíbrio financeiro para milhões de brasileiros. Para as famílias indígenas, significa mais do que redução na fatura: representa reconhecimento, inclusão e a garantia de que a energia que ilumina as casas também fortalece a dignidade e o futuro das comunidades.
Educação de Uiramutã reforça equipe com mais de 150 novos servidores para início do ano letivo

A rede municipal de ensino de Uiramutã ganha um importante reforço para o ano letivo de 2026. Mais de 150 candidatos aprovados em processo seletivo assinaram contrato esta semana na Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto (Semecd), fortalecendo o quadro de profissionais que atuarão nas escolas da sede e das comunidades do município. Na manhã desta quinta-feira (12), os convocados da 1ª chamada compareceram à Semecd para formalizar a contratação. O seletivo foi realizado com o objetivo de atender às demandas do quadro de reserva e também garantir o funcionamento da nova Creche Municipal Vovô Castro José dos Santos, que será inaugurada no próximo dia 20, na sede do município. A medida assegura que o ano letivo, com início marcado para o dia 23 de fevereiro, comece com equipes completas, proporcionando mais organização, qualidade no atendimento e suporte pedagógico adequado aos estudantes da educação infantil e do ensino fundamental. Segundo a Secretaria, as contratações contemplam diferentes áreas, incluindo professores, auxiliares, cuidadores, profissionais de apoio e demais funções essenciais ao funcionamento das unidades escolares. O reforço no quadro representa um avanço significativo para ampliar o atendimento, especialmente com a abertura da nova creche, que demandará equipe preparada para acolher as crianças com segurança e atenção integral. A chegada dos novos servidores também contribui para dinamizar o ambiente escolar e fortalecer as políticas públicas voltadas à educação no município. A gestão municipal destaca que investir em recursos humanos é essencial para garantir ensino de qualidade, valorização profissional e melhores resultados no processo de aprendizagem. Com planejamento e organização antecipada, a Prefeitura de Uiramutã reafirma o compromisso de iniciar o calendário escolar com estrutura adequada, assegurando que alunos e famílias encontrem nas escolas um ambiente preparado para acolher, ensinar e transformar realidades. A expectativa é de que 2026 seja um ano de avanços para a educação municipal, marcado por novos investimentos, ampliação de serviços e fortalecimento da rede pública de ensino em Uiramutã.
Vozes da floresta ganham sinal digital: Brasil Antenado traduz conteúdo para macuxi e ingarikó em Roraima

No extremo norte do país, onde o Brasil toca o céu pelas serras de Uiramutã, a informação começa a falar também em línguas originárias. Com 95% da população formada por indígenas, segundo o IBGE, o município roraimense passa a receber o programa Brasil Antenado com um diferencial inédito: o vídeo tutorial de instalação das antenas parabólicas digitais foi traduzido para macuxi e ingarikó. A iniciativa, coordenada pelo Ministério das Comunicações e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), marca um avanço na inclusão linguística dentro das políticas públicas de conectividade. O objetivo é simples e transformador: garantir que a informação chegue com clareza, respeitando identidades culturais e fortalecendo direitos. O Brasil Antenado distribui e instala gratuitamente kits de antena parabólica digital para famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) que vivem em regiões com sinal de TV inexistente ou limitado. Com a nova tecnologia, os beneficiários passam a ter acesso a mais de 100 canais de TV aberta, com qualidade digital de som e imagem. A execução é realizada pela Entidade Administradora da Faixa (EAF), responsável por operacionalizar o programa nos 323 municípios contemplados em 16 estados. Em Uiramutã, cerca de 2,2 mil famílias estão aptas a receber o benefício até março de 2026. Mais do que ampliar o acesso à televisão, a proposta é assegurar que essas comunidades compreendam plenamente como solicitar e instalar o equipamento — e, sobretudo, que reconheçam o programa como um direito. A estratégia tem base em experiência recente no município de Jacareacanga, no sudoeste do Pará. Lá, a barreira linguística foi identificada como o principal obstáculo à adesão. Após a tradução do tutorial para a língua munduruku, os pedidos de instalação cresceram mais de 150% em apenas quatro semanas. O resultado evidenciou que a comunicação, quando respeita a diversidade cultural, deixa de ser um detalhe e se torna ponte. Em Roraima, a medida reforça o entendimento de que inclusão digital também passa pela inclusão linguística. Ao adaptar o conteúdo para macuxi e ingarikó, o Brasil Antenado não apenas instala antenas — instala pertencimento. Leva informação sem apagar identidades, fortalece o acesso sem silenciar vozes. As famílias elegíveis podem solicitar o kit e a instalação gratuita pelo site oficial, brasilantenado.org.br, ou pelo telefone e WhatsApp 0800 729 2404. Em Uiramutã, o sinal que chega não é apenas de TV. É o reconhecimento de que políticas públicas eficazes começam quando o Estado aprende a falar — e a ouvir — na língua de seu povo.
Polícia descarta latrocínio em morte de liderança indígena no Amajari

A tragédia que abalou a comunidade indígena de Roraima segue cercada de mistério. Gabriel Ferreira Rodrigues, liderança jovem e promissora da etnia Macuxi, foi encontrado morto no município de Amajari, ao norte de Roraima. O corpo do indígena de 28 anos foi localizado próximo a sua motocicleta e celular, que foram recuperados pela Polícia Civil e entregues ao Conselho Indígena de Roraima (CIR). A descoberta de seus pertences no local do crime inicialmente levantou suspeitas de latrocínio, o roubo seguido de morte, mas essa linha de investigação foi descartada pelas autoridades. Gabriel Ferreira era uma figura conhecida e respeitada, ativo na defesa dos direitos das comunidades indígenas, especialmente em um contexto de intensos conflitos por terras na região. O Amajari, um dos pontos mais afetados por disputas violentas entre grileiros, grandes produtores e povos originários, se tornou um cenário de tensão. A luta pelo território, amplificada por interesses de especulação imobiliária e a pressão de grandes setores econômicos, resulta em uma escalada de confrontos que afeta diretamente os indígenas, que vivem na região há gerações. A Polícia Civil de Roraima, que investiga o caso, agora concentra seus esforços em outras possibilidades, descartando o latrocínio como causa do homicídio. A motivação do crime ainda não foi definida, mas é possível que esteja relacionada aos conflitos de terras, uma vez que Gabriel havia se envolvido ativamente em ações de resistência contra a invasão de terras indígenas por parte de grileiros e grandes produtores rurais. Em nota, o Conselho Indígena de Roraima lamentou profundamente a perda de Gabriel, destacando a importância de sua atuação em um momento em que a pressão sobre os povos indígenas da região se intensifica. “Gabriel era um defensor incansável dos direitos dos povos originários e seu assassinato é mais um reflexo da violência que enfrentamos no campo, onde as terras indígenas são constantemente ameaçadas por interesses que não respeitam a nossa história, cultura e ancestralidade”, afirmou a liderança do CIR. A morte de Gabriel Ferreira Rodrigues ocorre em um cenário de crescente violência no estado de Roraima, onde as disputas por terra têm se intensificado. Grileiros, que invadem terras protegidas e titulação de áreas indígenas, são os principais responsáveis por muitas das agressões registradas contra as comunidades locais. Em meio a esse contexto, as lideranças indígenas têm sido alvo de ataques diretos, como o caso de Gabriel, que, além de ser uma liderança comunitária, também se destacava pelo trabalho em prol da preservação da cultura e do meio ambiente. A investigação continua, mas a morte de Gabriel serve como um alerta para o agravamento da situação no campo, exigindo ações mais eficazes das autoridades para combater a violência no Amajari e garantir a proteção das terras e dos direitos dos povos indígenas. Aos poucos, os detalhes da morte de Gabriel vão surgindo, mas ainda permanece a dúvida: até onde a luta por terras pode ir? E quem pagará o preço por essa guerra invisível, travada a cada dia em meio ao verde da floresta, entre a luta pela sobrevivência e o desejo insaciável por riqueza e poder?