Uiramutã tem 32 escolas em regiões de difícil acesso

A geografia desafiadora do Uiramutã, município mais indígena do Brasil, localizado no extremo Norte de Roraima, impõe barreiras naturais significativas para o acesso à educação. Entre lavrados, igarapés, rios e serras, a missão de levar ensino de qualidade a regiões remotas exige esforço redobrado da gestão pública.

Um levantamento recente da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto (Semecd) aponta que 32 escolas da rede municipal estão situadas em áreas de difícil acesso — algumas só podem ser alcançadas por canoa, avião ou a cavalo.

Mesmo diante das adversidades, a Semecd realizou na última sexta-feira (4) mais uma missão logística: técnicos e coordenadores pedagógicos partiram rumo às comunidades indígenas Caju, Maloquinha e Chuí, levando material didático, gás de cozinha e combustível para as escolas localizadas às margens do rio Kinô.

A expedição foi coordenada pelo secretário municipal de Educação, Damázio de Souza Gomes, que também aproveitou a viagem para vistoriar as escolas e aferir rotas fluviais essenciais para o fornecimento de combustível ao transporte escolar. Durante as visitas, Damázio confirmou que os pontos de internet nas escolas mais isoladas devem ser instalados até o dia 5 de maio.

“Esta semana entregamos material didático, de limpeza e gás de cozinha. Na semana que vem, vamos fornecer merenda escolar para dois meses, considerando as condições climáticas da região”, afirmou o secretário.

Para garantir a segurança da equipe durante a navegação pelo rio Kinô, dois brigadistas da Defesa Civil acompanharam a operação. A condução da canoa motorizada — a popular “rabeta” — ficou sob responsabilidade do indígena macuxi Mateus Pereira da Silva, de 25 anos, morador da região.

Na comunidade indígena Maloquinha, a escola municipal indígena Calixto Abelardo atende oito alunos dos primeiros anos. A localidade, com cerca de 100 moradores, depende da pesca, da pecuária e do extrativismo. A moradora Cleicimar dos Santos, de 39 anos, denunciou a falta de merenda escolar estadual há mais de dois meses e cobrou a construção do posto de saúde prometido pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

Na sequência, a equipe seguiu para a comunidade indígena Chuí, onde a escola municipal indígena Rosa Nascimento atende 22 crianças da educação infantil. O secretário Damázio foi recebido pelo professor Heitor Ferreira dos Santos e pelo tuxaua José Dias de Souza, com quem conversou sobre melhorias na infraestrutura escolar.

Ao final da visita, o secretário recebeu um ofício com reivindicações da escola e reafirmou o compromisso da Prefeitura com a ampliação do acesso à educação, especialmente nas áreas mais afastadas.

“Como disse, nossa prioridade é atender as escolas em regiões de difícil acesso”, reforçou Damázio.

A comunidade do Chuí possui atualmente 156 moradores, dos quais 24 são pais de família. A instalação de internet na localidade também está prevista para este ano, como parte do plano de conectividade da Semecd.

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