Uiramutã (RR) — O que separa mais de 600 profissionais da Educação de um pagamento que pode chegar a R$ 10 mil é, neste momento, uma decisão legislativa. O rateio do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), referente ao exercício de 2025, já foi calculado, auditado e está pronto para ser executado pela Secretaria Municipal de Educação. No entanto, o depósito só poderá ser realizado após aprovação do projeto de lei pela Câmara Municipal de Uiramutã.
A proposta ainda não entrou na pauta de votação porque depende da convocação de sessão extraordinária pelo presidente da Casa, o vereador Max Ferreira (Republicanos). Sem essa etapa formal, a Secretaria não pode fixar data para pagamento, mesmo com os valores já definidos.
615 profissionais beneficiados
Ao todo, 615 servidores — entre efetivos e temporários — que atuaram na rede municipal ao longo de 2025 serão contemplados. O valor individual varia conforme critérios estabelecidos em lei, como carga horária, tempo de serviço e período trabalhado durante o ano.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, os pagamentos podem variar de quantias simbólicas, proporcionais a poucos dias trabalhados, até valores que se aproximam de R$ 10 mil para quem cumpriu integralmente o calendário letivo.
O rateio é resultado do saldo remanescente dos recursos do Fundeb, cuja legislação determina que no mínimo 70% devem ser destinados à remuneração dos profissionais da educação básica. Quando há sobra após o cumprimento das obrigações salariais, o montante pode ser redistribuído entre os trabalhadores do setor.
Expectativa nas escolas e impacto na economia
Nas escolas municipais, o assunto domina conversas entre professores, auxiliares, coordenadores pedagógicos e servidores administrativos. Para muitos, o rateio representa a possibilidade de reorganizar as finanças, quitar dívidas, investir em qualificação ou reforçar o orçamento familiar no início do ano.
Em uma cidade de pequeno porte como Uiramutã, a injeção de recursos pode gerar reflexo imediato na economia local. O comércio tende a sentir o aumento na circulação de dinheiro, beneficiando pequenos empreendedores, supermercados, lojas de vestuário e prestadores de serviços.
Especialistas apontam que, em municípios do interior, pagamentos extras ao funcionalismo público funcionam como estímulo econômico temporário, ampliando o consumo e fortalecendo o comércio local.
Trâmite político é decisivo
Apesar do cenário técnico favorável, o processo agora é essencialmente político. A convocação da sessão extraordinária e a posterior votação dos vereadores são etapas obrigatórias para que o pagamento seja legalmente autorizado.
A expectativa é de que, uma vez aprovado, o repasse seja realizado com rapidez, já que os cálculos e a disponibilidade orçamentária estariam assegurados. Até lá, o rateio permanece no papel — aguardando o momento de sair das planilhas da Secretaria de Educação para a conta bancária dos profissionais.
Enquanto a pauta não entra oficialmente em votação, cresce a expectativa entre os trabalhadores da Educação, que aguardam a decisão da Câmara para transformar o anúncio em realidade financeira.




