🏆 COMPETIÇÃO ACIRRADA

Abertura dos Jogos Escolares transforma Uiramutã em palco de emoção, cultura e protagonismo juvenil Na fronteira extrema do Brasil, onde a floresta abraça os céus e o vento sopra histórias ancestrais, o Uiramutã fez história. Na noite desta quarta-feira (18), a pequena e altiva cidade do Norte de Roraima foi tomada por uma atmosfera vibrante, que misturou o som das palmas, o brilho dos uniformes escolares e a força da tradição indígena, para dar início aos Jogos Escolares de Roraima (JERs) 2025. A quadra poliesportiva da sede municipal, normalmente silenciosa sob o manto das noites amazônicas, se transformou em uma arena de celebração. Ali, professores, técnicos, estudantes, famílias inteiras e autoridades reuniram-se com um só propósito: prestigiar a juventude, o esporte e a identidade local. Às 19h em ponto, os refletores acenderam e as arquibancadas explodiram em gritos e aplausos. Cada escola do município desfilou com orgulho, levando suas cores, seus símbolos e, sobretudo, seus sonhos. Os alunos/atletas – mais de 930 inscritos em 18 modalidades – adentraram a quadra em formação, com passos firmes, olhares determinados e sorrisos que traduziam muito mais do que entusiasmo: carregavam esperança. UM SHOW DE RAÍZES E IDENTIDADE Mas foi o grupo cultural “Filhos de Maruwai”, da comunidade indígena Enseada, que ofereceu um espetáculo que ficará gravado na memória de todos. Com trajes tradicionais, pintura corporal e instrumentos ancestrais, os jovens indígenas fizeram da quadra um terreiro de conexão entre passado e presente. Seus cantos e danças contaram histórias de resistência, sabedoria e pertencimento — lembrando a todos que o esporte, assim como a cultura, é também um ato de afirmação. LIDERANÇA PRESENTE A cerimônia contou com a presença do prefeito Tuxaua Benísio, que não escondeu a emoção ao discursar diante da juventude reunida. “Estes jogos não são apenas uma competição. Eles são uma celebração da nossa força, da nossa cultura, do nosso futuro. Aqui estão os líderes de amanhã, os atletas, os professores, os artistas. O Uiramutã está orgulhoso de cada um de vocês”, declarou o gestor. Também prestigiaram o evento representantes da Secretaria Estadual de Educação e Desporto (SEED), do Instituto de Desporto de Roraima (IDR) e membros da gestão municipal, que reforçaram o compromisso com o desenvolvimento da educação e do esporte em regiões de difícil acesso, como o Uiramutã. MUITO ALÉM DA COMPETIÇÃO Os Jogos Escolares de Roraima são mais que um evento esportivo: representam um movimento de integração, superação e valorização dos talentos espalhados pelos cantos mais remotos do estado. Cada partida jogada, cada ponto marcado e cada abraço ao final de uma disputa reforçam valores que transcendem quadras e campos — como respeito, empatia e coragem. Nos próximos dias, o município será tomado por partidas intensas, gritos de torcida, reencontros e descobertas. O calor do esporte aquecerá as manhãs frias e a disciplina dos treinos encontrará eco no brilho de cada vitória — seja ela no pódio ou no aprendizado. Com uma abertura que uniu tradição, juventude e emoção, os JERs 2025 no Uiramutã começaram com o pé direito. E, acima de tudo, com o coração batendo forte pelo futuro.

Uiramutã vibra com início dos Jogos Escolares de Roraima 2025: esporte, cultura e emoção no ponto mais ao Norte do Brasil

Com mais de 930 atletas e 18 modalidades, cidade indígena transforma competição em celebração da juventude e do talento local No coração da floresta e no topo do mapa brasileiro, a cidade de Uiramutã deu início, na tarde desta quarta-feira (18), a um espetáculo que vai além do esporte. Com um clima de entusiasmo contagiante, o município mais setentrional do Brasil abriu oficialmente a sua etapa dos Jogos Escolares de Roraima (JERs) 2025, reunindo mais de 930 alunos/atletas em 18 modalidades esportivas, em uma celebração de talento, cultura e união. O pontapé inicial aconteceu no tradicional campo Mojo-Ui, com partidas acirradas de futebol de campo, e a energia só aumentou com a abertura oficial na quadra municipal, transformada em palco de festa para estudantes, professores, gestores e moradores da região. A cidade, conhecida por sua beleza natural e força cultural indígena, recebe agora a 14ª e última etapa municipal dos JERs antes da grande final. “É mágico realizar os jogos aqui”, afirmou emocionado Dinaildo Barreto da Silva, diretor do Instituto de Desporto de Roraima (IDR), enquanto acompanhava os primeiros jogos à beira do campo. “Vemos que os professores e gestores vivem esse momento com paixão. Eles passam o ano inteiro treinando e acreditando nos seus alunos. É isso que faz valer a pena.” As primeiras partidas já mostraram que os jogos prometem. Em campo, as escolas indígenas deram um show de raça e equilíbrio. O duelo entre a Escola São Sebastião do Cailã (comunidade Água Fria) e a Escola Júlio Pereira (comunidade Uiramutã) terminou empatado em 1 a 1. Em seguida, a Escola Santa Terezinha, da comunidade do Morro, enfrentou a Escola Joaquim Nabuco, da sede, em mais um empate emocionante: 2 a 2. A rivalidade saudável e o respeito entre os jogadores marcaram o espírito esportivo da competição. A programação segue até domingo (22), com disputas em futebol de salão, futebol de campo e tiro com arco e flecha — uma modalidade que conecta o esporte moderno aos saberes tradicionais dos povos indígenas da região. A grande final do futebol de campo será na sexta-feira (20), às 15h, no mesmo campo onde tudo começou. Com 10.500 atletas inscritos em todo o estado, a edição 2025 dos Jogos Escolares de Roraima já é a maior da história. Os campeões das seletivas municipais disputarão a final estadual entre os dias 8 e 15 de julho em Boa Vista, enquanto as provas de atletismo ocorrerão de 1º a 6 de julho no Parque Anauá. Os melhores atletas do estado, com idades entre 12 e 17 anos, terão a chance de representar Roraima no cenário nacional. Os mais jovens (12 a 14 anos) viajarão a Minas Gerais em setembro, nos jogos organizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB). Já os atletas de 15 a 17 anos disputarão os jogos da CBDE (Confederação Brasileira do Desporto Escolar), em Brasília, entre os dias 15 e 17 de outubro. A realização da etapa em Uiramutã não representa apenas a última parada do calendário municipal dos JERs: é uma ode ao poder do esporte em transformar realidades, revelar talentos e conectar comunidades. No cenário encantador da fronteira norte, onde se cruzam rios, montanhas e culturas, os Jogos Escolares são mais que uma competição — são um grito de pertencimento, identidade e sonho. E quem sabe, entre esses jovens, já não estão os próximos campeões do Brasil?

🌸 Entre flores e cantos, São Gabriel celebra o amor que não se mede: o das mães

No coração da floresta, a comunidade indígena transforma o malocão em palco de afeto e poesia para homenagear as grandes guardiãs da vida Era manhã de sexta-feira, 6 de maio, mas o sol já parecia brilhar com mais ternura sobre a comunidade indígena São Gabriel, ao Norte de Roraima. A poucos quilômetros da sede do Uiramutã, o malocão — casa coletiva de encontros e memórias — se encheu de um brilho diferente: o brilho dos olhos de 38 mães, emocionadas com cada gesto de carinho preparado pelos filhos. A escola municipal indígena Ko’ko Cezarina Pereira virou oficina de amor nos últimos dias. Professores e alunos tramaram, em segredo, uma celebração que tocasse o coração. E conseguiram. Com vozes afinadas pela inocência, os pequenos cantaram. Com pés firmes no chão sagrado da aldeia, eles dançaram. Com palavras doces e tímidas, eles recitaram versos que falavam de gratidão, de cuidado, de colo. Flores de papel, cartazes coloridos, colares feitos à mão — cada detalhe era um tributo àquelas que carregam o mundo no ventre e o futuro no peito. Um sorteio de lembrancinhas completou o ritual, como quem diz: “Você merece muito mais, mas hoje levamos isso como símbolo do nosso amor.” Entre cantos e sorrisos, a emoção escorreu em forma de lágrimas leves, discretas, como chuva boa que molha a terra do afeto. “Ser mãe na comunidade é ser guerreira, é ser conselho, é ser reza, é ser abraço. Hoje a gente foi lembrada, mas, na verdade, a gente vive isso todos os dias”, disse dona Cezarina, uma das homenageadas, com o mesmo brilho nos olhos que havia nas crianças. Foi mais do que uma homenagem. Foi uma celebração do elo que resiste ao tempo, à distância, às dificuldades. Em São Gabriel, o Dia das Mães não foi só lembrado. Ele foi vivido — em sua forma mais pura. ✨ E que todo dia seja dia de lembrar: onde há mãe, há lar. Onde há lar, há força. E onde há força, há futuro.

Uiramutã entra em campo: reunião define detalhes para os Jogos Escolares 2025

Com mais de 440 alunos-atletas, município se prepara para ser palco da fase municipal do maior evento esportivo escolar de Roraima Uiramutã está prestes a se transformar na capital do esporte escolar. Em clima de entusiasmo e foco, a cidade mais setentrional de Roraima deu o pontapé inicial para os Jogos Escolares de Roraima (JERs) 2025 com uma reunião estratégica realizada na última terça-feira (3), na sede da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto (Semecd). O encontro reuniu figuras importantes da gestão municipal, como o secretário de Educação, Damázio de Souza Gomes, gestores escolares, coordenadores pedagógicos, professores e representantes de diversas pastas da administração pública. O objetivo foi claro: alinhar ações e traçar estratégias para receber, com excelência, a etapa municipal dos JERs, que acontecerá entre os dias 19 e 23 de junho. E o desafio é grande: nada menos que 440 alunos-atletas do município estão na disputa por uma vaga na fase estadual dos jogos, em Boa Vista. Com esse número, Uiramutã se firma como o segundo município com maior número de atletas inscritos, ficando atrás apenas da capital. Além do secretário Damázio, estiveram presentes na reunião os secretários municipais Silvanio Alves dos Santos (Obras e Infraestrutura), Eloiza Cavalcante de Lima (Administração), Silas Cavalcante Abelardo (Meio Ambiente e Turismo), o adjunto da Educação Joeverson Sales, a chefe de Gabinete Erlize José de Souza, o vereador Professor Gedeão (Rede) e o coordenador da Defesa Civil, Julimar Sena. A mobilização é grande e envolve mais de 120 profissionais, entre organizadores, técnicos e voluntários. Durante o evento, o município também contará com o apoio de uma comissão técnica vinda de Boa Vista, que contribuirá para garantir que cada lance, corrida e saque aconteça com segurança, organização e espírito esportivo. Um evento que move Roraima A 52ª edição dos Jogos Escolares de Roraima já começou fazendo história: são mais de 10,3 mil participantes em todo o estado, ultrapassando os 7,8 mil de 2024. A competição se divide em três fases: municipal, atletismo em Boa Vista e, por fim, a fase estadual, que acontecerá de 8 a 15 de julho. No total, 18 modalidades serão disputadas, entre elas futsal, futebol, vôlei de praia, badminton, tiro com arco e voleibol, que contarão com fases classificatórias. As demais categorias vão direto para a decisão, prometendo uma final repleta de emoção e talento jovem. Rumo ao cenário nacional Os JERs não são apenas uma vitrine do esporte local. Eles também são porta de entrada para o cenário nacional, classificando os melhores alunos-atletas para os Jogos Escolares Brasileiros (JEBs) e os Jogos da Juventude (JEJs) — oportunidades únicas para jovens entre 12 e 17 anos que sonham em representar Roraima em competições de alto nível. Com a proximidade da fase municipal, as escolas intensificam os treinos, ajustam táticas e lapidam talentos. O regulamento oficial dos JERs já está disponível para os professores de Educação Física, que agora têm a missão de transformar suor em conquista. Em Uiramutã, o apito inicial já soou — e a torcida é por um espetáculo de união, dedicação e superação que só o esporte pode proporcionar.

🌱 Uiramutã planta o amanhã: onde cada muda é um grito verde de futuro

Na manhã desta quinta-feira, 5 de junho, o céu acordou diferente no Uiramutã. Era como se a natureza tivesse suspendido o tempo só para ouvir. E ouviu. Ali, no pátio da Escola Estadual Joaquim Nabuco, não era apenas uma aula. Era um ritual. Um pacto entre jovens e a floresta. Um dia em que cada dedo sujo de terra era um manifesto de amor à vida. Enquanto o mundo comemorava o Dia Internacional do Meio Ambiente com hashtags e discursos, no extremo norte de Roraima, os alunos do 9º ano celebravam com enxadas, sementes e coração. 🌎 De discurso, o planeta já está cheio. Aqui, a gente planta. Com o apoio da Prefeitura do Uiramutã, em parceria com as Secretarias Municipais de Meio Ambiente, Turismo e Articulação Política, a ação começou com uma palestra que mais parecia um chamado ancestral: preservar não é escolha, é dever de quem respira. Os olhos dos estudantes brilharam. Não com reflexo de tela, mas com o reflexo das folhas, dos sonhos e do compromisso que brota na juventude que já entendeu: não há planeta B, mas há plano A — e ele começa na terra que a gente cuida. 🌿 Mudas, mãos e memória Terminada a fala, os alunos foram à terra como quem segue um instinto antigo. Com cuidado, enterraram pequenas mudas — de ipê, jenipapo, açaí — como quem planta a si mesmo. Cada buraco na terra era uma promessa. Cada folha nova, um futuro que se levanta. “Essa árvore vai crescer comigo”, disse um aluno, enxugando o suor com a manga da camisa enquanto ajeitava a muda no solo. Era uma fala simples, mas carregada de poesia. 🌳 Escola ou viveiro de utopias? A Escola Joaquim Nabuco, por um instante, virou floresta. As carteiras deram lugar a canteiros, o giz cedeu espaço ao húmus, e a lição do dia foi escrita com raízes. Uma lição que diz: ensinar não é apenas mostrar o mundo, é ensinar a protegê-lo. E naquele pequeno ato coletivo — plantar uma muda — os jovens do Uiramutã disseram ao mundo, em silêncio, tudo o que ele precisava ouvir:🌱 “Ainda dá tempo.”🌱 “Ainda temos chão.”🌱 “E se depender de nós, ele florescerá.” No Uiramutã, não se comemora o meio ambiente com palavras. Se comemora com vida. E ela, acredite, está nascendo.

📚 Quando o saber nasce da terra: o projeto que transforma a sala de aula em aldeia

No coração da floresta, onde as crianças aprendem ouvindo o vento conversar com as folhas e os avós contam histórias com olhos de tempo, a escola ganha um novo sotaque. Chega o Projeto GAIA, e com ele, um jeito novo — ou talvez ancestral — de ensinar. Em vez de livros que falam de neve e semáforos, chegam cartilhas que falam da chuva que inunda o igarapé, do tambaqui que desaparece quando jogam plástico no rio, da erosão que come a terra do plantio. Chega a educação com cheiro de mata e gosto de beiju. 🌿 O saber que brota do chão A proposta é simples, mas revolucionária: trocar os exemplos genéricos das apostilas tradicionais por situações reais, vividas ali mesmo, em Uiramutã — o município onde o céu é largo, a terra é sagrada e a comunidade é 100% indígena. “Por que ensinar sobre baleias se aqui o que tem é pirarucu?”, provoca — com um sorriso de quem sabe o valor do que faz — o geólogo e professor da UFRR Samir Valcácio. Ele coordena o projeto que une ciência e território, traduzindo temas como poluição, erosão e clima em experiências cotidianas. E mais: o material será falado na língua do coração. Tudo será traduzido para Macuxi, Ingarikó e Patamona, porque aprender no próprio idioma é mais do que inclusão — é respeito, é pertencimento, é resistência. 🧭 Entre mapas e memórias Durante os próximos seis meses, lideranças indígenas, professores, mães, pais, pajés e pesquisadores vão sentar juntos, como quem prepara uma grande festa de saberes. O objetivo é ouvir as histórias da terra, os nomes das plantas, os caminhos do peixe, e transformá-los em lições. Não se trata apenas de ensinar. Trata-se de devolver às crianças a chance de se verem nos livros, de ouvirem suas línguas nas salas de aula, de se reconhecerem como protagonistas do conhecimento. “O nosso povo vai se ver no papel, vai se ouvir nas aulas, vai se sentir parte da escola de novo”, celebra Joeverson Sales, secretário adjunto de Educação. 🔥 A fogueira acesa no centro da escola O Projeto GAIA não é uma novidade. É uma retomada. Uma lembrança de que a educação sempre esteve ali — no caule da árvore, no formato do céu, nas histórias sopradas nas noites de lua cheia. Agora, ela entra pela porta da escola de mãos dadas com a cultura local. E não vem para apagar o que já existe, mas para costurar mundos: o da ciência e o da sabedoria tradicional. Porque ensinar é plantar. E em Uiramutã, onde o chão é fértil de história, o saber brota mais forte quando tem raiz.

Uiramutã, o Coração Verde que Pulsa os ODS: Onde o Brasil Começa a Sonhar com 2030

No ponto mais alto do mapa brasileiro, onde o vento sopra em idioma Macuxi e o céu amanhece em cantos Wapichana, uma pequena cidade indígena acaba de assumir um papel de protagonista global. Uiramutã, com menos de 12 mil habitantes e quase 100% de território indígena, foi escolhida como o primeiro município do Brasil a dar o passo inaugural rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU — os tão falados ODS. Mas por que começar por aqui, tão longe dos centros políticos e econômicos do país? Justamente por isso. “Se quisermos um futuro sustentável, ele precisa nascer onde a vida pulsa em equilíbrio com a terra há séculos”, declarou Lavito Person Motta Bacarissa, da Comissão Nacional para os ODS, durante uma cerimônia que mais parecia um encontro entre mundos: o institucional e o ancestral. Em Monte Moriá I, uma das comunidades indígenas de Uiramutã, danças circulares se entrelaçaram a discursos de esperança. Cânticos ecoaram entre árvores centenárias e crianças apontavam para maquetes feitas com papelão reciclado, explicando, com brilho nos olhos, o que significa cuidar da floresta como quem cuida da própria avó. “Estamos escrevendo uma carta para a COP30, mas também estamos escrevendo o futuro com a tinta das nossas raízes”, disse a professora Leny Costa, coordenadora de projetos que unem educação indígena, meio ambiente e ciência. Os temas dos ODS — como educação de qualidade, igualdade de gênero, energia limpa e combate à fome — foram apresentados não como metas distantes, mas como práticas vivas: nas hortas comunitárias, nas rodas de contação de histórias, nas oficinas de artesanato com sementes e na construção de saberes bilíngues, onde o português é hóspede e não senhor. A iniciativa foi saudada pelo prefeito Benísio Rocha como “um reconhecimento histórico” e vista por lideranças indígenas como uma chance real de influenciar políticas públicas que, até aqui, pouco chegaram aos confins da floresta. Uiramutã, até ontem um ponto quase invisível nas estatísticas nacionais, agora é a bússola do Brasil rumo a 2030. E talvez seja simbólico — e necessário — que o futuro sustentável do país comece exatamente onde a terra ainda é chamada de mãe, e o progresso não seja medido apenas em concreto, mas em cuidado.

Uiramutã: Jovens Macuxi Transformam Saberes Ancestrais em Ciência Viva

Em uma manhã de abril marcada pela troca de saberes, a comunidade Macuxi de Monte Moriá I, em Uiramutã, recebeu uma exposição científica que transcendeu os limites da sala de aula. Estudantes da Escola Municipal Indígena Cícero Canuto de Lima apresentaram dez projetos que conectam práticas culturais tradicionais à pesquisa científica, reafirmando a importância da educação intercultural. Ao lado do malocão da comunidade, cerca de 11 quilômetros da sede do município, os alunos compartilharam experiências que envolvem letramento na língua materna, artesanato, agricultura tradicional, pesca, culinária típica e até mesmo a construção de maquetes da própria comunidade utilizando materiais recicláveis. A professora Leny Costa destacou que o projeto também enfatiza a importância da preservação ambiental, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, cujo projeto-piloto está sendo conduzido em Uiramutã. A gestora da escola, Karla Rodrigues, ressaltou que a ação promove o fortalecimento da identidade indígena por meio da educação. Segundo ela, a exposição também teve caráter preparatório para a feira de ciências prevista para ocorrer ainda este ano. O evento contou com a presença de autoridades locais, como o prefeito Benísio Rocha e o secretário municipal de Educação, Damázio de Souza Gomes, que elogiaram a iniciativa como um reflexo do compromisso com o fortalecimento do ensino indígena. Com 174 estudantes matriculados do 1º período da Educação Infantil ao 9º ano do Ensino Fundamental, a escola Cícero Canuto de Lima atende a uma comunidade de cerca de 490 moradores, todos da etnia Macuxi. A exposição científica não apenas celebrou a riqueza cultural do povo Macuxi, mas também evidenciou o potencial transformador da educação que respeita e integra saberes tradicionais.

ORGULHO DE RORAIMA

Prefeito Tuxaua Benísio será homenageado na Assembleia Legislativa Parlamentares aprovam honrarias que reconhecem contribuições do líder indígena ao desenvolvimento do Uiramutã e à valorização das comunidades tradicionais Em sessão ordinária realizada nesta terça-feira (15), a Assembleia Legislativa de Roraima aprovou projetos de decreto legislativo que concedem as comendas Orgulho de Roraima e Ordem do Mérito Legislativo a personalidades que se destacam por suas contribuições ao Estado. Entre os homenageados está o prefeito do município de Uiramutã, Tuxaua Benísio Roberto de Souza (Rede). As honrarias reconhecem a trajetória e os serviços prestados por Benísio às comunidades indígenas e ao desenvolvimento do município mais setentrional do Brasil, localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. Os decretos serão publicados no Diário Oficial do Poder Legislativo nos próximos dias. Com uma trajetória marcada pelo compromisso com o fortalecimento dos povos tradicionais, Tuxaua Benísio iniciou sua atuação comunitária como coordenador de um projeto de gado entre 1990 e 2005. Em seguida, foi conselheiro fiscal do Conselho Indígena de Roraima (CIR), entre 2006 e 2008, uma das principais organizações de representação indígena do estado. Em 2011, assumiu como tuxaua da Comunidade Pedra Branca, liderança tradicional que exerceu com dedicação até ser eleito vereador de Uiramutã, cargo que ocupou entre 2013 e 2016. Em 2020, Benísio foi eleito prefeito do município e desde então tem se destacado por iniciativas voltadas à infraestrutura, educação e valorização da cultura indígena. Uma de suas mais recentes realizações foi a inauguração da primeira escola de alvenaria na comunidade Serra do Sol, considerada de difícil acesso. O feito histórico foi amplamente celebrado pela população e pelas autoridades locais. A homenagem da Assembleia Legislativa é vista como um reconhecimento do papel fundamental que Tuxaua Benísio desempenha como líder indígena, gestor público e defensor da educação e dos direitos das comunidades tradicionais. O prefeito deve receber a comenda em solenidade oficial nas próximas semanas, em data a ser anunciada pela Casa Legislativa.

MAIS EDUCAÇÃO

Alunos da Serra do Sol participam de festa de formatura e celebram avanços na Educação A comunidade indígena Serra do Sol, localizada no município de Uiramutã, extremo Norte de Roraima, viveu um momento de celebração e esperança no último sábado (12), com a realização da cerimônia de formatura de alunos das redes municipal e estadual de ensino. Ao todo, 25 estudantes — 11 da escola municipal indígena Epuru Isantan Ingaricó e 14 da escola estadual indígena Joaquim Jones José Ingaricó — participaram da solenidade, realizada no tradicional malocão da comunidade. O evento foi marcado por emoção e simbolismo, e contou com a presença do prefeito Tuxaua Benísio (Rede) e do secretário municipal de Educação, Damázio de Souza Gomes, além de lideranças indígenas, professores e familiares dos formandos. A formatura celebrou a conclusão do 1º e 2º períodos da Educação Infantil e dos anos finais do Ensino Fundamental, consolidando o esforço conjunto das comunidades, educadores e poder público para levar ensino de qualidade às regiões mais distantes do Estado. A Serra do Sol, cercada por serras, rios e lavrados, é considerada uma das áreas de mais difícil acesso em Roraima. Antes da cerimônia, o prefeito Benísio inaugurou a primeira escola de alvenaria da Serra do Sol — uma conquista histórica para os moradores locais, que durante anos contaram apenas com estruturas improvisadas para manter o funcionamento das escolas. Durante a solenidade, o tuxaua da comunidade, Hoston Gabameti, parabenizou os estudantes e agradeceu o empenho da gestão municipal. “É muito satisfatório ver nossas crianças avançando nos estudos. Daqui sairão os profissionais que atenderão nosso próprio povo. Todos estão de parabéns”, afirmou. Em seu discurso, o secretário Damázio anunciou que a comunidade será contemplada com uma quadra esportiva, cuja construção faz parte de um projeto que visa atender todos os centros regionais com espaços adequados para práticas esportivas. Ele também antecipou que está prevista a visita do ministro do Esporte, André Fufuca, ao município, embora a data ainda não tenha sido confirmada. “A Serra do Sol acaba de ganhar sua primeira escola de alvenaria, um feito inédito que entra para a história, e também ganhará uma quadra esportiva. A proposta é construir espaços para a prática de esportes em todos os centros regionais. Parabenizo os formandos e peço que vocês, crianças e jovens, continuem estudando”, destacou o secretário. O prefeito Benísio reforçou o compromisso com a educação e garantiu novos investimentos no setor. “É gratificante ver nossas crianças se formando e seguindo para uma nova fase nos estudos. A Educação é uma das prioridades de minha gestão. Os investimentos neste importante setor vão continuar”, assegurou. Ao final da cerimônia, os formandos receberam seus certificados e prestaram uma homenagem às autoridades com a entrega de presentes artesanais confeccionados por eles mesmos. A professora Elineude Pinho, coordenadora pedagógica da Educação municipal e madrinha da turma, foi homenageada pelos alunos e elogiada por sua dedicação à comunidade. A festa de formatura na Serra do Sol reforça o valor da educação como instrumento de transformação e desenvolvimento, mesmo nas regiões mais afastadas, e marca o início de uma nova etapa na vida de crianças e jovens que sonham com um futuro melhor.

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